31 de outubro de 2008

Agricultores vendem mamona para Petrobras



 

Projetos de apoio à produção de biodiesel a partir da mamona estão conquistando ótimos resultados, como produtividade e acesso a mercado, apesar da polêmica levantada no início do ano sobre a viscosidade do óleo. Um bom exemplo vem de Claro dos Poções, município mineiro localizado a 495 quilômetros de Belo Horizonte. Lá, 20 famílias de agricultores que cultivam mamona venderam parte da produção para a Petrobras.

A plantação da oleaginosa, de três hectares, é aliada ao plantio de feijão, arroz, abóbora, quiabo, amendoim, pimenta e cabaça. Parte do que é produzido supre a alimentação das famílias de agricultores. A cabaça é usada na confecção de artesanato e o excedente da produção soma-se à mamona para venda ao mercado.

O analista do Núcleo de Bioenergia do Sebrae/MG Leonardo Cardoso Ivo conta que a produção de várias culturas é importante para trazer melhorias. “A produção desse grupo conta com tecnologia para maximizar o retorno do solo e evitar o agroquímico, além de ter no cultivo consorciado uma grande saída”, ressalta.

O projeto tem como parceiros a Universidade Federal de Lavras, a Prefeitura Municipal, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável de Claro dos Poções e o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

A universidade é responsável por fornecer as sementes de mamona, e a Emater presta orientação técnica aos agricultores. O extensionista José Carlos Dias Santos explica que a instituição faz um trabalho de base com os agricultores. “Trabalhamos muito com unidades de demonstração para que o grupo veja a tecnologia funcionando na prática e reconheça seus resultados. Além disso, estimulamos bastante a participação do jovem agricultor”, destaca.

O grande feito do grupo de Claro das Poções foi a realização de venda recente para a Petrobras. Em setembro, a empresa comprou 11 mil quilos de mamona em coco, sem beneficiamento. A quantidade é resultado da produção dos agricultores familiares e de cinco produtores independentes da região. O produto foi vendido a R$ 0,88 o quilo.

O agricultor Luiz Jonas Duarte está satisfeito com o resultado. “O pessoal está entusiasmado, até os jovens estão plantando, e agora temos mais variedades de alimentos”, conta. Antes do projeto, o grupo plantava apenas milho e feijão. “Agora temos outros tipos de alimentos e ainda temos a mamona para vender”, completa.

As perspectivas são favoráveis para os agricultores da região. Leonardo Ivo destaca que há possibilidade de mais vendas, como a efetuada para a Petrobras. “Já tivemos a sinalização de que a busca é pelo óleo processado. Por isso, estamos com projeto de criar uma indústria escola para processar o grão e vendê-lo pronto para a indústria”, conta o analista do Núcleo de Bioenergia do Sebrae/MG.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias