26 de junho de 2012

Brasil fará mais do que texto da Rio+20 prevê



A secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, afirmou que o Brasil fará mais do que as propostas presentes no documento final da Rio+20. Ao participar do Seminário O GLOBO "Os desafios do Desenvolvimento e da Sustentabilidade" representando a ministra Izabella Teixeira – realizado ontem no Hotel Windsor Atlantica -, Samyra destacou que o Brasil reforçou sua liderança no multilateralismo com gestos efetivos, e não apenas simbólicos: o país vai doar US$ 10 milhões para um fundo de clima que vai ajudar países africanos e pequenas ilhas e outros US$ 6 milhões para o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

– Aquilo que está no documento é a linha básica. Não significa que os países não podem fazer mais e o Brasil fará. Portanto, aguardem o Brasil, confiem no Brasil, fiquem apaixonados pelo Brasil, que esse é o nosso momento – afirmou a secretária, citando as oportunidades que o país terá nas conferências de Qatar e Índia para mostrar seu desempenho.

Já Sérgio Besserman Vianna, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável do Rio, afirmou que a Rio+20 foi "muito boa" como evento, mas que o documento final da conferência "não está à altura do que percebemos como necessário". Ele disse que teria apresentado uma opção mais ambiciosa para a discussão.

A crise econômica, segundo Besserman, tem sido responsável pela paralisação dos chefes de governo nos últimos anos, que "não conseguem se reunir e gerar ação sobre assunto nenhum desde 2008".

– A equipe é de uma excelência admirável, mas nós (o Brasil) fizemos a opção do mínimo denominador comum. Teria apresentado uma opção mais ambiciosa, embora o mais importante seja o momento histórico. Avançou-se muito – disse o economista.

O desafio agora, segundo Besserman, é que os próximos 20 anos serão os mesmos para que o mundo deixe a crise de 2008 e também construa uma economia de baixo carbono.

Um dos temas do seminário foi a importância dos relatórios de sustentabilidade das empresas para medir e avaliar suas ações, como ressaltou a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), Marina Grossi. Para ela, todas as empresas devem mostrar seus dados, que devem ser comparáveis.

– O relatório é uma ferramenta extremamente importante. Se tiver um padrão para ser usado, vai ajudar muito – afirmou a diretora-executiva de Sustentabilidade da Vale, Vania Somavilla.

Relatórios são ferramenta para mensurar ações

A secretária do Ministério do Meio Ambiente Samyra Crespo acenou com a possibilidade de o governo recomendar o uso da norma ISO 26.000, lançada em 2010, para os relatórios de responsabilidade social das empresas. Tal sugestão, no entanto, só deve ocorrer depois da definição dos
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, prevista para 2014. A ideia, segundo ela, é permitir que esses objetivos ajudem a nortear o que cobrar das empresas:

– Não há no governo política para cobrar responsabilidade socioambiental das empresas. Há uma profusão de indicadores e a tendência é adotarmos modelo mais simplificado.

Em sua apresentação, Vania defendeu que governo, empresas e terceiro setor trabalhem juntos para lidar com a mudança climática e a desigualdade na distribuição de riqueza e renda.

– Mineração não é uma coisa bonita de ver, mas se trabalhar bem ela pode deixar um legado, de forma que o que a gente deixa é mais do que tirou, que deixe um polo de desenvolvimento. Esse é o desenho em que estamos trabalhando – disse .

Ela destacou, ainda, que a empresa tem buscado "a licença social", ou seja, o desejo da sociedade de que a atividade seja desenvolvida naquela área.

– Estamos abertos ao diálogo, não acertamos sempre, aprendemos às vezes até a duras penas, com nossos erros, mas acreditamos que já tem muita coisa bonita para mostrar – disse Vania.

Questionada se há um paradoxo das políticas do Ministério do Meio Ambiente com os subsídios dados pelo governo à indústria automobilística e ao consumo de gasolina, Samyra Crespo disse que, embora não possa falar por todo o governo, os incentivos à indústria são parte da política anticíclica para evitar a desaceleração da economia. Já o subsídio ao combustível, segundo ela, busca evitar o repasse de todo o custo de elevação do preço do petróleo na inflação:

– Temos desafios de curto prazo muito fortes, mas não duvido do compromisso da presidente Dilma Rousseff.

Também participaram do seminário, mediado pelo colunista Agostinho Vieira, a gerente de Inovação e Tecnologia do Sebrae, Glaucia Zoldan, a gerente de Responsabilidade Social da Eletrobras, Tereza Cristina Rozendo Pinto, e a editora do caderno Razão Social do GLOBO, Amelia Gonzalez.

Fonte: O Globo 
Jornalista: Lucianne Carneiro