19 de abril de 2013

Chegada do milho será adiada



Ainda sem milho para alimentar o rebanho, o pecuarista paraibano – que achava que receberia o produto no início de maio – precisará esperar quase 30 dias, além do prazo previsto, para poder comprar as sacas de 60 quilos do grão com preço com menor custo (subsidiado). O adiamento do primeiro leilão organizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fracassou em negociar o encaminhamento por navio das 103 mil toneladas de milho que devem vir para estados do Nordeste, sendo 16 mil toneladas será destinado à Paraíba.

A possibilidade de compra dos lotes não atraiu nenhum comprador interessado e a Conab será obrigada a lançar um outro edital para um novo leilão, que deve ser realizado ainda no dia 26 de abril. Com essa alteração, o milho previsto para chegar aos portos do Nordeste entre os dias 2 e 8 de maio tem como novo prazo o período entre 27 de maio e 11 de junho.

Segundo a Companhia, o motivo apontado pelos vendedores para não fechar negócio foi, justamente, o prazo curto para a entrega do grão. Isto porque a viagem de navio dura até 45 dias, enquanto pelo modal rodoviário (por onde vêm as outras 19,5 mil toneladas da Paraíba) é de apenas sete dias. A ideia agora, conforme informou, é oferecer “um prazo ampliado para a entrega do produto”.

O milho em questão é uma ação do governo federal para minimizar a perda do rebanho só semiárido nordestino e deve ser entregue por navios, nos portos da Região dos estados do Ceará, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Os preços variam de R$ 18,12 (até três mil quilos) e R$ 21 (entre três e seis mil quilos).

Segundo o superintendente da Conab, Gustavo Guimarães, a logística da Companhia deve reavaliar o edital para viabilizar o próximo pregão. “Vale lembrar que só o encaminhamento por navio que não obteve êxito, o rodoviário foi procurado. Mas, em solucionando os problemas, especialmente dos prazos, a negociação deverá acontecer”.

O primeiro lote do leilão é de 20 mil toneladas para entrega no terminal portuário de Cotegipe (BA). O segundo (30 mil t) para o Ceará e o terceiro lote é de 28 mil toneladas, das quais 16 mil toneladas devem ser entregues no porto de Cabedelo. A entrega deve ser feita entre os dias 27 de maio e 6 de junho.

Apesar do adiamento, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa-PB), Mário Borba, disse que a parcela do milho destinada ao Estado deverá chegar na data prevista. “É a meta do governo federal, não é? Creio que, se atrasar, será o mínimo”.

Menos tranquilo sobre o assunto, o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura na Paraíba (Fetag-PB), Liberalino Lucena, lamenta que o produtor paraibano precise esperar ainda mais. “Em 2012, perdemos metade ou mais da metade do nosso rebanho, neste ano, estamos com o que sobrou ainda em situação de ameaça. Quanto mais demora, pior para o produtor”, concluiu.

PROTESTO EM CG

Na próxima segunda-feira, mais de dois mil produtores rurais farão um protesto no centro de Campina Grande motivados pelas perdas ocorridas em virtude da seca na Paraíba. Segundo o presidente da Faepa, Mário Borba, serão levadas carcaças dos animais mortos pela estiagem. Entidades de classe, prefeitos e outros políticos também devem comparecer na ocasião. “Quem mora na cidade não sabe o que está acontecendo no Sertão, é muito triste”, completou.

Fonte: Jornal da Paraíba