3 de fevereiro de 2021

Faepa discute formação de polo de fruticultura irrigada no Sertão da Paraíba


Jocelio Oliveira

A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa) promoveu uma palestra nesta terça-feira (2) sobre a possibilidade de formação de um polo de fruticultura irrigada no Sertão do Estado. A proposta leva em consideração a conclusão dos eixos leste e norte das obras de transposição de águas do Rio São Francisco.

O evento virtual contou com a participação do presidente da Faepa, Mário Borba, e também de presidentes de Sindicatos Rurais de municípios do Sertão. Entre eles, Sousa, Uiraúna, Pombal, Mãe D’Água, Patos, Cajazeiras, São Mamede, Catolé do Rocha e Coremas, além do superintendente do Senar, Sérgio Martins.

O agrônomo José Antunes de Oliveira apresentou o potencial da região para a execução do projeto. Segundo ele, é necessária a coordenação e várias instituições ligadas ao setor agropecuário, mas considera que se trata de uma iniciativa que pode gerar muita rentabilidade para o sertão.

“Acredito que com a irrigação, é possível trabalhar com culturas como a banana (tanto para exportação quanto par ao consumo local), quanto com variedades da goiaba, manga e maracujá. Contudo, é preciso ter atenção no controle de pragas e também no estudo dos solos da região, essencial para o desenvolvimento de culturas irrigadas”, explicou.

A presidente do Sindicato Rural de São Mamede, Damiana Daniel, elogiou a proposta e destacou a necessidade de mapear as demandas locais. “Temos que partir da realidade dos municípios, ver quais as culturas de interesse de cada um e montar um projeto. Acredito que se tivermos essa oportunidade, com certeza vamos fazer um bom trabalho”, defendeu.

Antunes já atuou no Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) e atualmente é consultor do governo estadual no acompanhamento da execução dos trabalhos de zoneamento pedoclimático nas áreas de influência da transposição no eixo  norte, com pós-graduação em engenharia de irrigação.

“Com esse trabalho, também será possível retomar culturas que já foram fortes naquela região, como as do coco e do algodão. Para consolidação disso, também será necessária a capacitação técnica dos produtores que poderão ser beneficiados, com foco na conscientização sobre importância desse projeto”, afirmou.

Levando em consideração a região semiárida do Estado, o especialista recomentou ainda a utilização de sistemas de irrigação baseados em gotejamento e microaspersão. Segundo Antunes, uma segunda fase da iniciativa pode ser ampliada por meio da interligação de bacias hidrográficas das regiões Norte e Nordeste, por meio do Rio Tocantins

“Essa ligação também desaguaria no Rio São Francisco e contribuiria para um equilíbrio na distribuição da água doce do país. Hoje, a região Norte conta com 68%, mas tem um adensamento populacional de apenas 8,6%. Enquanto que no Nordestes esses números são de 3% e 26,6% respectivamente”, concluiu.

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