14 de abril de 2014

Os caminhos para uma agricultura ainda mais forte



Desde a década de 1970, a Agricultura brasileira vem experimentando um crescimento fantástico na produção, cujos resultados transformaram, para melhor, o perfil da economia do País. A expansão das fronteiras e o distanciamento da faixa litorânea, no entanto, criaram um desafio logístico, cujo enfrentamento une o setor privado e o governo.

Com uma safra Agrícola próxima de 190 milhões de toneladas, não é difícil prever o impacto que esse volume exerce na Infraestrutura Logística brasileira. O governo, atento ao fenômeno do crescimento acelerado da produção, tem feito um esforço concentrado para melhorar as condições de escoamento produtivo.

O avanço da fronteira Agrícola para o Centro-Norte do País, investimentos em pesquisa e adequadas políticas de crédito resultaram no crescimento acelerado da produtividade e dos volumes das safras nos últimos tempos.Com os investimentos projetados para a próxima década, a proposta, além de melhorar o acesso por vias importantes para as Regiões Sul e Sudeste, é ampliar o volume de produção escoado para os portos no denominado Arco Norte, que atualmente é de 10 milhões de toneladas de grãos.

Na última safra, as transferências de Milho e Soja das novas fronteiras agrícolas para os portos do Sul e Sudeste somaram 60 milhões de toneladas, sendo que 80% desse volume foi transportado por Rodovias, em distâncias que chegam a superar os 2 mil quilômetros.

Esse panorama, no entanto,vai mudar gradativamente nos próximos dez anos, com a instalação de novos terminais nos sistemas de Macapá (Santana), Belém (Vila do Conde e Outeiro) e São Luís (Tegram). Somados aos terminais existentes em Santarém (PA) e Itacoatiara (AM), a projeção é ade que haja uma movimentação superior a 60 milhões de toneladas de grãos até o ano de 2025.

Competitividade

Com a melhoria da Logística de escoamento pelo Arco Norte,poderemos reduzir em aproximadamente US$ 50 por tonelada o custo logístico de movimentação da produção. O objetivo é garantir ao produtor brasileiro uma efetiva redução do custo e o aumento da competitividade das commodities, com reflexos positivos na apropriação de renda, no aumento da produção, na geração de emprego e no desenvolvimento regional.

Além disso, governo criou um grupo interministerial de trabalho formado por representantes das Pastas da Agricultura, dos Transportes e da Secretaria de portos para acompanhar o escoamento da safra, discutindo e oferecendo soluções aos entraves ocorridos nos últimos anos.

Por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, há um departamento específico para tratar do assunto, que está articulado diretamente com os órgãos responsáveis pela formulação e execução das políticas públicas de transportes e portuárias.

Outro aspecto que deve auxiliar o setor nos próximos anos são os investimentos para ampliação e reforma de armazéns públicos e privados. O segmento da armazenagem foi contemplado no Plano Agrícola e Pecuário com recursos de R$ 25 bilhões para os próximos cinco anos. O pagamento pode ser feito em até 15 anos, sendo três de carência e juros reduzidos para 3,5% ao ano, o que tem assegurado o êxito do programa, com cerca de R$ 2,8 bilhões em financiamentos em oito meses da safra atual.

A crescente demanda mundial por alimentos amplia o leque de oportunidades, abre novos mercados e eleva o País a uma posição privilegiada no comércio internacional de commodities agrícolas, enquanto as exportações do agro-negócio se consolidam cada vez mais como uma alavanca para o desenvolvimento interno. Com preços dos produtos agrícolas sendo favoráveis a longo prazo, o grande crescimento da produção deverá conduzir o Brasil à condição de maior fornecedor de alimentos do mercado internacional até 2020, status que recomenda permanente atenção do governo e investimentos contínuos em Infraestrutura. 

Fonte: O Estado de S. Paulo