5 de setembro de 2008

Paraíba terá o primeiro Pólo de Biodiesel em dezembro



A cidade de Cajazeiras vai ser sede do Pólo Metropolitano de Biodiesel da Paraíba. O Grupo Bionor – Biodiesel Nordeste investirá R$ 180 milhões com o plantio do pinhão-manso.

O projeto prevê produção integrada de biodiesel da ordem de 300 milhões de litros por ano, com benefício direto a 25 mil famílias de agricultores de 90 municípios do Sertão. Serão instaladas duas unidades da Bionor, uma em Cajazeiras e outra em Cabedelo. Só em Cajazeiras serão investidos R$ 90 milhões.

Técnicos da Bionor visitaram em agosto áreas no Vale do Piancó onde os investimentos também serão aplicados. De acordo com o prefeito de Cajazeiras, Carlos Antonio de Oliveira, o projeto é o maior Arranjo Produtivo Regional (APR), da Paraíba agregando 90 municípios paraibanos. A matriz do pólo será Cajazeiras, com a indústria principal. Os investimentos da Bionor terão início em dezembro, com as instalações da indústria, gerando centenas de empregos.

Carlos Antonio fez questão de destacar que o projeto tem o apoio incondicional do governador Cássio Cunha Lima, do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Arthur Cunha Lima e do deputado estadual José Aldemir, representante de Cajazeiras no poder legislativo.

O prefeito explicou porque a Bionor decidiu plantar o pinhão-manso e não a mamona. Ele disse que o pinhão-manso é uma planta que se adapta a todo tipo de solo, em especial ao semi-árido do Nordeste, tem vida útil de até 50 anos, pode ser cultivada pelo pequeno agricultor que também cultiva milho e feijão, na agricultura familiar.

Ainda está sendo importada para Cajazeiras uma nova tecnologia que irá extrair do pinhão-manso a lignina, uma substância tóxica e esta tecnologia também vai proporcionar a produção da torta animal, um fator importante para a consolidação da pecuária, que de setembro a novembro, sofre com a escassez de alimentos. O pinhão-manso não precisa de irrigação, é resistente à seca, e com apenas 200 milímetros de chuva por ano consegue produzir.

As vantagens do pinhão-manso

Pesquisa da BiodieselBR revela 100 motivos que fazem do pinhão-manso (Jatropha curcas)  uma planta de grande potencial e talvez a mais indicada para a produção de energia. Vejamos alguns dos cem motivos: É uma planta perene. Produz bem em terras menos férteis. É uma planta rústica. Produz mudas com facilidade.

Emprega mão de obra sem qualificação. Gera empregos fixos no campo. Produz óleo combustível que substitui o caro diesel mineral. A torta é um adubo rico em nitrogênio, fósforo e potássio. Seu plantio recupera solos degradados. Inicia a produção 120 dias após o plantio.

Poucas pragas atacam. Colhem-se seus frutos por cerca de seis meses. Tem raízes profundas por isso à irrigação pode ser feita com intervalos entre 20 e 30 dias por gotejamento. Pode ser plantada em consórcio com hortigranjeiros. O preço do seu óleo ficará atrelado ao preço do petróleo. Tem um crescimento rápido e vigoroso.

O pinhão-manso também é uma ótima fonte de renda para pequenas propriedades rurais. Seu óleo pode ser usado como repelente de insetos em pomares. Pode ser plantada em áreas onde a agricultura mecanizada é inviável. Não precisa de máquinas para o seu cultivo. Produz 5.000 quilos de grãos por hectare. Produz 1.650 litros de óleo por hectare. Produz 3.200 quilos de torta por hectare. Seu óleo bruto tem um rendimento em éster superior a 94%. Controla a erosão. Evita a desertificação. Seu óleo pode ser usado para a fabricação de tintas e vernizes.

O óleo do pinhão-manso serve como remédio. Seu óleo transformado em biodiesel polui 80% menos que o diesel. O biodiesel do seu óleo não contém enxofre. Seu biodiesel é ecologicamente correto. Seqüestra cerca de 8 quilos de carbono por planta ano. Pode ser plantado em consórcio com mamona. A casca das sementes serve como ração animal. Floresce entre três e cinco vezes por ano. Produz entre 20 e 40 quilos de mel por hectare. O mel de suas flores tem propriedades medicinais. Pode ser plantada em 90% do território brasileiro. É uma planta heliófila (de pleno sol). O diesel mineral é mais caro que seu óleo. A planta iniciará a era da agroenergia.

Fonte: paraíba.pb. gov.br