9 de abril de 2014

Perdas da agricultura na Paraíba podem se agravar



Devido a maior seca dos últimos 50 anos que atingiu toda a região Nordeste, o estado da Paraíba vem sofrendo com perdas significativas no que diz respeito à agricultura e pecuária. Com baixos índices pluviométricos, as principais culturas do estado tiveram redução drástica de produção e qualidade.

Na Paraíba se destacam, majoritariamente, três culturas agrícolas com altos níveis de produtividade: Cana-de-açúcar, abacaxi e coco. Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (FAEPA), Mário Borba, a grande estiagem nos anos de 2012 e 2013 afetou a produção regional e, consequentemente, sua economia. “Os impactos econômicos em função da baixa produtividade são imediatos e podem ser medidos pelo alto índice de desemprego e pela redução acentuada da renda da população em geral”, afirma.

Mário Borba explica que as plantações de cana-de-açúcar no estado foram afetadas em razão da mudança no regime de chuvas. “Na região do Litoral, onde tradicionalmente se cultiva a cana de açúcar, em razão das condições climáticas serem mais favoráveis, as perdas foram consideráveis, tanto em relação a perdas de produtividade, como na qualidade dos produtos. Em números, as perdas são da ordem de 30 a 40% na produtividade e 15 a 20% por tonelada de cana moída na indústria”, explica.
Outra cultura que sofreu os efeitos da estiagem no estado foi o abacaxi. Com uma produtividade forte, a Paraíba reveza com o estado do Piauí o posto de maior produtor do fruto no país. Mas, com a mudança no regime de chuvas, as perdas de campo nesta safra colhida em fevereiro de 2014 situaram-se entre 20 e 25%, sendo a qualidade dos frutos a maior perda considerada pelos produtores rurais. “A baixa pluviosidade registrada entre agosto/2012 a março/2013 prejudicou o desenvolvimento vegetativo do abacaxi e, consequentemente, reduziu o peso médio dos frutos, provocando redução dos lucros em cerca de 30%. Esta redução é ocasionada pela expansão da cultura canavieira que se tornou mais rentável, principalmente pela política de compensação de preços que indenizam os produtores quando os preços estão abaixo do ideal”, explica o técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emater-PB), Fabiano Queiroga.

Ainda segundo Fabiano, as expectativas de produção e colheita para a atual safra se mantêm positivas, pelo menos em Santa Rita. “Para o ano de 2014 há perspectivas positivas para a cultura, tendo em vista que no período agosto/2013 a março/2014, ocorreram chuvas regulares no município e há um clima de otimismos entre os produtores”, diz o técnico.

A cultura do coco, segundo os dados apresentados pelo assessor da presidência do Senar, Domingos de Lelis Filho, sofreu danos ainda maiores que as outras culturas, por que a maior produção se encontra em perímetro irrigado e o fornecimento de água foi interrompido, sacrificando as plantações. A Paraíba produz coco em duas localidades distintas: a produção na região do litoral e a produção irrigada na região do sertão. “No sertão, especialmente em Sousa e Aparecida, a produção de coco, antes da grande seca, chegava a 76 milhões de frutos ao ano. Com a estiagem prolongada, os reservatórios de irrigação se exauriram e a quebra na produção em 2013 foi de 90%, além de ter ocasionado a mortalidade de cerca de 60% dos coqueirais. Em 2014 as previsões são de quebra de cerca de 70% da produção em função da mortalidade e início de produção das áreas remanescentes. No litoral, as lavouras em regime de sequeiro não chegaram a ter mortalidade de plantas, mas em razão da mudança no regime de chuvas nestes anos de 2012 e 2013, a quebra de produção foi de cerca de 20 a 25%” argumenta.

Solução
Para o presidente da Faepa, para sanar os problemas causados pela seca na região e retomar a produtividade dessas culturas é preciso planejamento e ação. “A princípio vemos como solução a elaboração de um projeto para armazenamento e condução de água para irrigação das lavouras de cana de açúcar e abacaxi na região do litoral e zona da mata. A região tem índice pluviométrico considerado muito bom, mas com distribuição irregular, necessitando de estruturação com obras de barramento, acumulação e canais de distribuição d’água, como forma de garantir e aumentar a produção e produtividade das lavouras. Quanto à produção de coco, é preciso investir na revitalização do perímetro de produção de coco na região de Sousa, bem como a pressurização de um sistema de irrigação adequado para a região”, recomenda Mário Borba.

O presidente lembra ainda que tem lutado junto a entidades parceiras para chamar a atenção de autoridades em busca de uma solução definitiva para a região, pois se a estiagem se prolongar por mais um ano, as perdas serão irreparáveis. “Estamos cansados de medidas paliativas que fazem do Nordeste uma região esmoleira. Precisamos de projetos amplos que visem à adequação do produtor rural à realidade do semiárido. Caso não houvesse os chamados programas de transferência de renda (bolsas família e outros), o processo de migração para as regiões centro sul do país teria sido bastante acentuado. Entretanto, estes programas não são e nem devem ser permanentes, havendo assim necessidade urgente da estruturação de programas de geração de emprego e renda”, finaliza Mário Borba.

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