5 de setembro de 2008

Safra da cana na Paraíba vai reduzir preço do álcool no NE



Com o início da colheita da cana-de-açucar na Paraíba, as perspectivas são animadoras para redução do preço do álcool em todo o Nordeste, especialmente no estado. Neste mês, o litro do combustível vegetal hidratado (utilizado nos veículos a álcool ou flex), que já bateu a casa dos R$ 2,00, em João Pessoa e noutras capitais, como em Fortaleza (CE), pode recuar até 5%, conforme previsão do Sindicato dos Postos de Combustíveis do Ceará (Sindipostos).

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana-de-Açúcar da Paraíba, Raimundo Nonato, garante que do ponto de vista agrícola, as perspectivas apontam para uma safra de aproximadamente 6,2 milhões de toneladas nas 115 mil hectares plantadas na região litorânea paraibana.

“Acredito que em setembro o álcool baixe entre 4% e 5%, devido a safra da cana que começa agora”, sinaliza o empresário cearense José Carlos de Oliveira. Ele avalia que com a redução o preço médio do álcool na bomba recue para R$ 1,79, valor já praticado por muitos estabelecimentos.

Com a recente alta dos preços do álcool hidratado, que atingiram 13% no mês de agosto no estado de Goiás e 7,3%, no Paraná, os preços do combustível nos postos do País continuam competitivos em relação à gasolina em 14 estados brasileiros.

Os estados em que os preços do combustível renovável estão mais competitivos para o consumidor são Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Nestes estados, a relação entre os preços médios do etanol nos postos em relação à gasolina varia entre 46,5% e 63%. Até uma proporção de 70%, os preços do álcool são mais competitivos que os da gasolina.

O presidente executivo do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado da Paraíba, Edmundo Barbosa, acredita na redução dos valores do álcool em razão da boa safra da cana-de-açúcar que se inicia neste período na Paraíba. Atualmente, o estado produz 395 bilhões de litros por ano e, mesmo sem aumentar a área plantada nos últimos anos, está exportando 24 milhões de litros no padrão anidro que é o padrão europeu.

Da forma em que o preço do álcool se encontra, sendo vendido a R$ 1,70 e até a R$ 2,00, gerentes e proprietários de postos de combustíveis de João Pessoa alegam que com a gasolina sendo vendida a até R$ 2,19, a maioria dos proprietários de carros Flex, na hora de encher o tanque, está optando mais pela gasolina.

Em São Paulo, segundo Barbosa, o consumo de álcool é de 6,5 bilhões de litros por ano, mas o álcool por lá está sendo vendido a R$ 1,20, bem diferente do preço praticado no Nordeste. “Acredito que havendo uma redução no valor do álcool no Nordeste, em particular na Paraíba, haveria um grande aumento no consumo do produto e, com isso, haveria um aumento no número de empregos; o estado também iria lucrar com mais impostos”, disse o presidente do Sindalcool.

Com uma redução no preço do álcool, argumentou Barbosa, a Paraíba, que já produz o suficiente para a demanda, algo em torno de 395 bilhões de litros, teria condição de aumentar a produção anual em 10% e a partir de pesquisas já realizadas teria condições de aumentar ainda mais a produção e produzir também o etanol.

Fonte: Asplan