29 de janeiro de 2016

Crises na Carreira: por que temos tanta dificuldade em decidir o que queremos fazer?

Dicas e notícias


Ascom Senar-PB

ESTE ARTIGO FAZ PARTE DO LIVRO THE BOOK OF LIFE, CAPÍTULO 2: TRABALHO.
Young business woman  daydreaming in the office with feet on the table.  [url=http://www.istockphoto.com/search/lightbox/9786622][img]http://dl.dropbox.com/u/40117171/business.jpg[/img][/url]

Em 1700, na Europa Ocidental, havia aproximadamente 400 tipos diferentes de trabalho para escolher. Atualmente, há cerca de 500 mil. Não é de espantar que, às vezes, tenhamos um pouco de dificuldade em decidir o que queremos fazer.

Durante boa parte da história, a maioria das pessoas acreditou que esta vida não é a única chance que temos de nos realizar. Existiriam mais vidas além da morte, nas quais poderemos corrigir os erros cometidos aqui na Terra. A ansiedade na carreira surge – em parte – de uma incapacidade crescente de acreditar em outras vidas.

Uma vida média pode ter apenas 600 mil horas. Identificar um trabalho realizador exige uma mistura sensata de medo e pressa, com exame de consciência e paciência.

Depositamos nossas esperanças de felicidade no Amor e no Trabalho, mas, com relação a ambos, nós nos recusamos a planejar metodicamente, a nos entendermos completamente, a treinar incansavelmente e a fazer terapia antes de agirmos. Idolatramos o instinto nos lugares errados.

Raramente temos tanta insatisfação e incerteza sobre o que nos satisfaria quanto em relação a nosso trabalho. Só sabemos o que está errado, não o que seria certo; nosso descontentamento grita para ser ouvido, mas se recusa a nos apontar alguma direção clara quando nos abaixamos para escutá-lo.

Como nos relacionamentos, é um alívio tremendo – e não um sinal de maldade – saber que outras pessoas também estão infelizes com seu trabalho. Não se sentir sozinho é um consolo significante e digno.

A pior hora para crises na carreira é no final de tarde de domingo, normalmente às 17h: quando as esperanças vagas e a sensação de possibilidade do final de semana finalmente colidem com a fria realidade da semana que está para começar. A extensão de nosso desespero é uma medida de nosso grau de potencial não aproveitado.

A ansiedade com a carreira é nosso talento latente uivando em nossas mentes, desesperado para não morrer inutilizado.

Frustrated businessman sitting at desk with  head in hands

O sentido moderno da vida: nossos interesses mais profundos devem encontrar expressão externa de uma forma que os outros achem útil – e que trará dinheiro suficiente para uma vida confortável. A ambição é enorme, linda e digna de respeito solene por sua complexidade.

Somente na história muito recente é que tentamos não apenas ganhar dinheiro no trabalho, mas também – extraordinariamente – ser felizes ali. Essa ideia teria soado profundamente peculiar para a maioria de nossos ancestrais, especialmente para os aristocratas que nunca trabalharam e para as classes operárias que teriam desejado fervorosamente não trabalhar. O trabalho feliz é a invenção genial e malévola da burguesia.

Nossas crises na carreira são agravadas pela noção de que nossos talentos só são reais se a) nos rendem dinheiro, b) são utilizados o tempo inteiro e c) não são apenas hobbies. Tais dogmas são, no mínimo, abertos a questionamento.

Reafirmamos a nós mesmos a quantidade de tempo que nos resta ao darmos à nossa morte imaginada a data da expectativa média de vida, sem lembrar que, antes de chegarmos ao ponto final, teremos enfrentado anos de crescente incerteza, terror enquanto nossos amigos morrem, uma sensação de que não estamos mais em casa no mundo e humilhantes problemas intestinais. Em outras palavras: nunca devemos deixar de ter um pânico útil com relação ao pouco tempo que nos resta.

Como a questão que isso trata é consequencial, é extraordinário que o aconselhamento de carreira ainda seja a mais amadora e casual das ocupações, quase tão malfeita quanto a neurocirurgia nos tempos medievais.

Muitos de nós ainda estamos presos dentro da jaula de carreira inconscientemente criada por algumas escolhas desinformadas e apressadas que, desavisados, fizemos aos 18 anos.

Na utopia, começaríamos a estudar “O que quero ser quando crescer?” dos cinco aos 18 anos, uma hora por semana, subindo para três no último ano do ensino médio.

Quando seus talentos e aptidões atendem às necessidades do mundo, essa é a zona de nossa missão em particular na vida.

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Escreva 10 empregos que seus conhecidos da universidade têm e nos quais você definitivamente não tem interesse. Liste os motivos para isso. Comece a entender as particularidades de sua identidade no trabalho.

O que queremos, acima de tudo, é um trabalho significativo – o que significa, em essência, um trabalho que alivia o sofrimento ou aumenta o prazer dos outros.

Quando o trabalho parecer significativo, você estará pronto para dar a vida por ele por um salário praticamente equivalente ao mínimo. Quando sabe que, essencialmente, não faz sentido, briga por milhões. Soldados versus banqueiros.

A inveja parece desagradável e vergonhosa, mas contém pistas essenciais sobre suas ambições ocultas. Mantenha um registro de todos que você conhece com empregos que o deixam com inveja. Lentamente, monte um retrato de sua ocupação ideal através de uma análise de suas emoções invejosas. Mantenha um Diário da Inveja.

Com frequência não fazemos nenhuma mudança na carreira porque ficamos fixados em enormes transformações – e ignoramos o papel das evoluções. No entanto, uma carreira totalmente nova pode germinar de uma matrícula em um curso noturno semanal.

As pessoas não tendem a deixar os empregos por causa do salário ou mesmo por causa da política corporativa – saem quando não estão mais aprendendo.

Pensar em quais eram nossos interesses mais satisfatórios na infância é importante, em parte, porque, naquela fase, estávamos livres das duas grandes ansiedades que mais tarde inibem o desabrochar de nossas verdadeiras personalidades no trabalho: a necessidade de dinheiro e o anseio por status. O sucesso verdadeiro pode significar, aos 50 anos, ter voltado de maneiras essenciais ao que era divertido fazer aos cinco.

Todos os pais criam inconscientemente (ou não) uma noção de que alguns empregos não são possíveis para seus filhos – porque são humildes demais, ou ambiciosos demais, ou simplesmente porque as pessoas da família não fazem esse tipo de coisa. Pense em 10 ocupações que podem ter sido plausíveis, mas foram (psicologicamente) descartadas em casa.

A servidão terminou na Europa Ocidental no início do século 15, mas continua como uma categoria psicológica em nosso inconsciente. Tais coisas podem levar alguns milênios para se resolverem. É por isso que, normalmente, somos tão catastroficamente modestos sobre o que merecemos atingir.

É alentador, nem um pouco ridículo e, ainda assim, mortalmente consequencial que a maior parte de nosso sucesso na vida dependa da CONFIANÇA, uma matéria que nunca é ensinada na escola, que soa como algo saído de manuais bobos de autoajuda – mas que, mesmo assim, determinará o quanto ousamos (o que é metade do caminho, no mínimo).

Fonte: Revista Você S/A