18 de fevereiro de 2009

Bagaço aproveitado



Armazenado ao montes nas usinas o bagaço é o que sobra da cana depois que a planta é triturada para a produção de açúcar e álcool. Muitas empresas queimam o resíduo para gerar energia elétrica. Mas agora o bagaço poderá ter também outro destino e ser transformado em mais etanol.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto trabalham para extrair açúcar do bagaço, que depois de fermentado vira álcool.

“Nós conseguimos 3% de etanol com relação total de bagaço que usamos. Mas o ideal, teoricamente, seria a gente chegar a 60% desse material. Seria um aproveitamento ideal, aproveitamento que a gente vai tentar alcançar”, disse a bióloga Eleni Gomes.

Os professores e estudantes envolvidos na pesquisa estudam vários tipos de fungos. Eles produzem enzimas capazes de quebrar as fibras que protegem o açúcar contido no bagaço. Assim é possível aproveitar toda a energia que a planta oferece.

“O principal desafio que enfrentamos é justamente conseguir uma enzima que seja eficiente, estável e que produza etanol”, falou o químico Maurício Boscolo.

Os pesquisadores acreditam que com o aproveitamento do bagaço será possível aumentar em até 50% a produção nacional de álcool. Outra vantagem apontada é a possibilidade do fim da entressafra.

Hoje as usinas param de produzir álcool entre os meses de dezembro e março. Com o bagaço estocado será possível manter a produção do combustível durante o ano todo. O chamado álcool de segunda geração tem as mesmas características do etanol. O próximo passo dos pesquisadores é desenvolver máquinas que consigam processar o bagaço da cana em larga escala.

“Nós precisamos de tempo para realizar a pesquisa. Em termos de aplicação industrial eu acredito que em três anos tenhamos alguma coisa bastante promissora”, concluiu o engenheiro químico João Cláudio Thomeo.

Nos Estados Unidos as pesquisas estão mais adiantadas. Já existe uma usina do Estado da Louisiana começando a produzir álcool de celulose em escala pré-industrial.

Fonte: Globo Rural