15 de dezembro de 2009

COP-15 é paralisada por países em desenvolvimento



A ausência de propostas concretas por parte de nações industrializadas para a renovação do Protocolo de Kyoto levou ontem representantes de países africanos a paralisar a 15ª Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas. O novo impasse, também motivado por quebra de confiança na presidência do evento – que convidou 48 ministros para negociar em separado no domingo, alijando mais de uma centena -, tornou mais concreto o risco de fracasso nas negociações, que acabam na sexta. O impasse entre ricos e em desenvolvimento se dá, em parte, pela cobrança por um engajamento dos emergentes, como China e Brasil.

O enfrentamento diplomático aconteceu no início da manhã de ontem. Inconformado com a falta de compromisso dos países industrializados, um grupo de negociadores africanos se retirou da reunião que discutia o texto-base do eventual “Protocolo de Copenhague”. A decisão, que bloqueou a negociação, recebeu o apoio formal do G77, o grupo dos países em desenvolvimento, com apoio explícito da China. Bernaditas Muller, representante do G77, justificou a atitude dizendo que os países ricos estão dificultando as negociações sobre adaptação e financiamento. Também criticou o papel dos ministros recém- chegados a Copenhague. “A negociação vem ocorrendo há dois anos e todo esse trabalho pode ser colocado em risco ao ser decidido por quem não o acompanhou de perto”, disse.

Em represália à ação do G77, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Japão, Rússia, Ucrânia e Finlândia bloquearam as discussões em outra plenária, sobre a renovação do Protocolo de Kyoto. O impasse só foi desatado no meio da tarde, com a retomada das reuniões sem que um acordo tivesse sido de fato alcançado. “Cada país industrializado ofereceu metas de redução de emissões. A questão agora é saber se essas metas satisfazem os outros países e se esforços equivalentes estão sendo feitos”, explicou o secretário-geral da Convenção do Clima (UNFCCC), Yvo de Boer.

Desde o início da conferência, há oito dias, o debate em torno do chamado anexo B do Protocolo de Kyoto, em que seriam explicitadas as metas de redução das emissões de gases-estufa dos países industrializados para o período 2013-2020, está estagnado. “Esse assunto foi esgotado. Os países chegaram a Copenhague com suas metas na mão e, desde então, nada de novo foi oferecido”, disse ao Estado um do negociador sul-americano envolvido no tema. “Ninguém mais tem autoridade para fazer novas propostas até que os chefes de Estado e de governo cheguem. O processo está engessado.”

O QUE ESTÁ EM JOGO

Um dos epicentros do problema é provocado pelas ameaças da União Europeia, Japão, Canadá e Austrália de abandonar o Protocolo de Kyoto caso os EUA não sejam signatários de um tratado internacional equivalente. De sua parte, a delegação norte-americana descarta aderir a um acordo que não envolva também a China. Além disso, condiciona sua adesão à transformação das ações voluntárias da China, Índia e Brasil para reduzir o ritmo das emissões em metas. “Uma questão maior para os EUA é que as maiores economias emergentes também assumam compromissos que sejam mensuráveis e verificáveis para limitar o crescimento de suas emissões”, confirmou De Boer.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo