4 de agosto de 2008

Cotação da cana reage em julho



A melhora nos preços do álcool e do açúcar neste ano começa a beneficiar o plantador de cana. A previsão é de que em julho a remuneração pela tonelada seja de R$ 35, ante os R$ 32 que vinham sendo pagos desde o início da safra em São Paulo, em abril. Por conta da perspectiva mais otimista para os produtos sucro-alcooleiros, a Organização dos Plantadores de Cana da região Centro-Sul do Brasil (Orplana) acredita que esse valor deve evoluir nos próximos meses, de forma que, na média da safra, a receita por tonelada atinja entre R$ 37 e R$ 38. Ao final deste mês, os preços do açúcar em São Paulo estavam 11,8% mais altos do que os verificados na mesma época do ano passado. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), a saca de 50 quilos na usina valia R$ 25,18 em 31 de julho de 2007, preço que em 30 de julho passado estava em R$ 28,16. No caso do álcool, a diferença é maior. Em 25 de julho deste ano, o litro do hidratado na usina em São Paulo valia R$ 0,717, 21% mais que os R$ 0,5923 negociados em 27/07/2007. Apesar da elevação no valor pago ao plantador de cana em julho, a relação com o custo de produção ainda está deficitária, segundo Ismael Perina Júnior, presidente da Orplana. Isso porque o custo para se produzir uma tonelada é hoje de R$ 52, 48% maior que a remuneração de R$ 35 prevista para julho. Há dois anos, na safra 2006/07, esse custo estava entre R$ 41 e R$ 42 por tonelada, e a remuneração recebida foi de R$ 52, na média da safra apurada pelo Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana). “De lá para cá, os custos foram inflacionados pelo aumento da despesa com mão-de-obra e insumos, enquanto isso, os preços dos produtos sucroalcooleiros só caíram”, lamenta Perina. Assim, desde a safra passada, as contas dos plantadores estão fechando no vermelho. Na safra passada, a remuneração foi de R$ 35 e o custo entre R$ 46 e R$ 47. O resultado, segundo Perina, é que a reforma dos canaviais neste ano deve ficar abaixo dos patamares médios dos últimos anos, de 18% a 22% da área colhida. “Os plantadores devem reformar menos de 18%, deixando a cana antiga no campo para produzir por mais um ano, o que significa uma queda de produtividade de 15% dessas áreas”, calcula. É provável ainda que, mesmo as áreas reformadas com amendoim ou soja a partir de setembro, não retornem com cana no início do ano que vem, caso o cenário mostre melhor remuneração para outras culturas. “Eu, por exemplo, devo plantar milho safrinha nessa área reformada”. Ainda assim, ele acredita que não haverá prejuízos ao volume de cana moído em 2009. “Muitas áreas novas estão sendo plantadas e vão compensar essa retração”, acredita. Além disso, mais cana deve ficar em pé ao final desta safra, por conta do atraso da moagem no Centro-Sul e na entrada de novas usinas em operação. Segundo estimativas da consultoria Datagro, devem ficar em pé cerca de 32 milhões de toneladas de cana neste ciclo, estimativa que no começo da safra era de 17 milhões de toneladas.

Fonte: Gazeta Mercantil