14 de maio de 2008

É hora de acreditar no potencial do sorgo



A posição de destaque ocupada pelo sorgo na previsão de safra recorde deste ano – uma variação positiva de 15,7% na produção do cereal em relação a 2007 – mostra uma tendência que pode ganhar fôlego diante o cenário de escassez de alimentos e sua relação direta com a produção de biocombustíveis. O milho, apontado como o principal ingrediente desta nova receita que deverá reduzir os programas de produção de energia nos Estados Unidos e União Européia, poderá abrir espaço para o sorgo, cultura vista tradicionalmente como uma segunda opção.

“Existe uma oportunidade imensa para que o sorgo ocupe um lugar de destaque em um mercado onde o milho em grão reina praticamente sozinho, seja na fabricação de rações ou até em produtos alimentícios”, arrisca o pesquisador José Avelino Rodrigues, da área de melhoramento genético da Embrapa Milho e Sorgo. Segundo ele, a opção de substituir o milho em algumas formas de processamento confere ao sorgo um potencial que deve ser explorado. “Se o milho está em alta, o sorgo segue o mesmo caminho. E o produtor deve estar atento a esta tendência para não sair no prejuízo”, conclui.

Com previsão de término da colheita em agosto nas principais regiões produtoras, a produção de sorgo deste ano deve superar em 235 mil toneladas a safra 2006/2007. A produtividade também subiu, de 2.125 kg/ha para 2.315 kg/ha, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), acompanhada da área plantada: 748 mil hectares contra 704 mil na safra passada. O Centro-Oeste brasileiro continua liderando a produção, com destaque para os estados de Goiás e Mato Grosso. Entre as cultivares graníferas mais plantadas, destaque para a BR 304 e BR 310, da Embrapa, DKB 599 (Dekalb) e AG 1018 (Agroceres).

Entre as cultivares forrageiras, plantadas principalmente em Minas Gerais e Goiás – as duas maiores bacias leiteiras do país – destacam-se a BRS 610 (Embrapa) e dois produtos de multinacionais: Volumax (Monsanto) e 1F305 (Dow AgroSciences). “Enquanto o sorgo forrageiro é produzido e consumido em quase sua totalidade nas propriedades agrícolas, o sorgo granífero abastece o mercado de rações. Desta forma, temos um nicho que pode ser mais explorado se considerarmos o comportamento apresentado pelo mercado de destinar o milho à alimentação humana nos países em discussão”, diz José Avelino.

Incidência de doenças acompanha evolução da cultura

Neste cenário de evolução do sorgo, os produtores devem estar atentos aos fatores de risco. A antracnose (Colletotrichum sublineolum), a mais importante doença que ataca a cultura, causa preocupação constante pela possibilidade de que ocorra “quebra” da resistência de materiais que têm se comportado como resistentes nos últimos anos. Segundo o pesquisador Carlos Roberto Casela, da área de resistência genética de cultivares da Embrapa Milho e Sorgo, há registros deste fato em anos recentes, “o que nos leva a crer que esta é uma possibilidade real para qualquer safra”.

Segundo Casela, o BR 304, por exemplo, foi lançado em 2003 como possuidor de excelente nível de resistência à antracnose e até hoje é considerado um híbrido de alta produtividade. No entanto, a resistência à esta doença já foi superada em função do próprio período de tempo que o material está disponível no mercado. “As doenças não surgem do nada, não acontecem por acaso. São, na realidade, o resultado de um conjunto de fatores ligados não apenas à resistência genética do material, mas também ao próprio manejo da área, como o uso ou não de tecnologias”, completa.

Segundo o fitopatologista, outra doença que preocupa é a helmintosporiose (Exserohilum turcicum), cuja frequência na safra de inverno tem aumentado nos últimos anos. “A predominância de temperaturas amenas neste período favorece muito seu desenvolvimento”, alerta. Outras doenças significativas para a cultura são a ferrugem (Puccinia purpurea) e a podridão seca (Macrophomina phaseolina). “Esta última é sempre uma ameaça para o sorgo plantado no Centro-Oeste, já que sua ocorrência é favorecida por períodos de seca, situação bastante provável durante o estágio em que o sorgo está no campo”, explica.

Casela também alerta sobre a incidência do míldio (Peronosclerospora sorghi) em áreas de produção de sementes, pois a ocorrência de uma única planta com infecção sistêmica é suficiente para que todo o campo seja condenado. O pesquisador adianta que a busca de materiais mais resistentes e produtivos, além da preservação da resistência genética das cultivares já lançadas, são as diretrizes do programa de melhoramento genético da Embrapa Milho e Sorgo. “É feita uma avaliação contínua dos materiais em sua fase experimental. Em qualquer circunstância a resistência genética deve sempre ser considerada como a principal alternativa para o controle de doenças”, diz, taxativo.

Conheça mais sobre o manejo de doenças na cultura acessando a Circular Técnica 89: http://www.cnpms.embrapa.br/publicacoes/publica/2007/Circular89.pdf.

Mais informações podem ser obtidas junto à Área de Comunicação Empresarial (ACE) da Embrapa Milho e Sorgo: (31) 3779-1123 ou gfviana@cnpms.embrapa.br .