15 de março de 2017

Federação apoia estruturação da cadeia de caprinos e ovinos


Jocelio Oliveira

Consumo formal dessa carne é 12% a 15 % em relação a de bovinos, segundo Apacco

A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba está apoiando a estruturação de um sistema que integre a cadeia produtiva da caprinovinocultura no Estado. Na última terça (14), representantes de cooperativas, do governo do Estado, Sebrae e associações de criadores de caprinos e ovinos se reuniram na Faepa para debater essa organização.

O trabalho que a Faepa está desenvolvendo consiste na mediação desse planejamento. É o que explica o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Itabaiana, Dema Azevedo.

“Nós encontramos uma cooperativa de produtores já organizada, mas que ainda não tem condições de atender a demanda do mercado por causa do seu tamanho. Queremos montar um sistema em que os produtores de todo o Estado sejam incluídos, cuja âncora será a cooperativa. Já temos frigoríficos interessados, mas vamos primeiramente avançar na identificação de dificuldades e potencialidades”, explicou.

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Este foi o segundo encontro e contou ainda com a visita do consultor de agronegócio, Josemar Medeiros, que também tem atuação junto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ele defende que o maior desafio do setor não está relacionado à produção, mas a própria formalização da cadeia.

“A Paraíba tem competência tecnológica, genética e de conhecimento na criação de caprinos e ovinos. O Nordeste, em geral, tem as condições climáticas ideais para criação do animal. Também há mercado demandante da carne desses animais. Mas ainda há muita informalidade”, avaliou.

A ideia de que o semiárido existe principalmente para pecuária é uma bandeira defendida constantemente pelo presidente da Federação, Mário Borba. É por isso que a instituição tem prestado apoio à essa articulação.

“Nós temos grande interesse em estruturar essa cadeia aqui na Paraíba porque acreditamos que é grande o nosso potencial. O trabalho é desafiador, mas precisa ser realizado e o momento é oportuno, já que contamos com o auxílio irrestrito da CNA e também de diversos parceiros no Estado”, avaliou o presidente.

Pedro Martins (esq.), presidente da Apacco, e Josemar Medeiros (dir.), consultor de agronegócio

Para o consultor, é preciso criar as condições para que o pecuarista produza de maneira sistemática e envie, com regularidade, animais para o abate em frigoríficos, que por sua vez também precisam de constância no fornecimento aos revendedores e supermercadistas.

A informalidade na produção dessa carne é um problema apontado também pela Associação Paraibana dos Criadores de Caprinos e Ovinos (Apacco). Segundo o seu presidente, Pedro Martins, há dez anos o rebanho paraibano se mantem estabilizado em torno de 1 milhão de cabeças. Ainda de acordo com a associação, o consumo per capita formal da carne de caprinos e ovinos é de 12% a 15% em relação a de bovinos.

“Isso nos assusta porque nesse período cresceram a população e a demanda, mas não o número de animais. A nossa leitura é de que está acontecendo na informalidade algo que não está sendo perceptível. Precisamos trazer esse número para legalidade e este passo que está sendo dado aqui é muito importante nesse sentido”, afirma Pedro.

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Publicado em: 15 de março de 2017