30 de abril de 2013

Mapa diz que prioridade da safra 2013/2014 é armazenagem



O ministro da Agricultura, Antônio Andrade (PMDB-MG) afirmou nesta segunda, dia 29, que a prioridade do Plano Agrícola 2013/2014 será a armazenagem de grãos, tendo em vista os problemas com logística e infraestrutura para escoamento da produção do país.

– Vamos lançar um plano nacional de armazenagem, com juros mais baixos e maiores prazos de pagamento e de carência – disse o ministro no discurso de abertura da 20ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), que começa nesta segunda em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A feira que completa 20 anos segue até 3 de maio.

Durante o discurso, Andrade admitiu que a produção brasileira cresceu muito mais do que o esperado e criticou a falta de investimentos feitos para o escoamento da safra.

– Isso mostra que teríamos que ter feito investimentos no passado, que não foram feitos.

O ministro afirmou, ainda, que "tudo indica que a safra 2013/2014 será novamente recorde" para mais de 184 milhões de toneladas de grãos.

– Por isso, é preciso garantir renda ao agricultor e, por isso, teremos um plano de safra mais amplo e efetivo, com juros menores e com prazo de pagamento maiores – concluiu o ministro, sem citar números.

Na safra 2012/2013 foram disponibilizados R$ 115,25 bilhões para agricultura empresarial e R$ 18 bilhões para a agricultura familiar.

Agricultura empresarial

Antonio Andrade afirmou ainda que o governo pretende ampliar em 27% os recursos para a agricultura empresarial da safra 2012/2013 para 2013/2014. Se confirmado, o volume financeiro sairá de R$ 115,2 bilhões para R$ 146 bilhões entre os dois períodos. O anúncio oficial da medida ocorrerá na primeira semana de junho, afirmou Andrade.

De acordo com o ministro, grande parte dos R$ 31 bilhões a mais na oferta de financiamentos para safra 2013/2014 será destinada à armazenagem e logística de grãos, tanto pública quanto privada.

– A logística deveria ter sido pensada lá atrás, quando o país colhia 80 milhões de toneladas. Como isso não ocorreu, a infraestrutura não acompanhou o desenvolvimento da produção agrícola – disse o ministro.

Andrade disse, ainda, que a expectativa de produção de milho maior do que a demanda vai fazer que o cereal sobre ainda nesta safra. Isso obrigará o governo a intervir no mercado para sustentar as cotações do produto.

– O ministério vai intervir no momento correto e comprar parte desse milho – disse o ministro, sem dar detalhas sobre as operações que serão feitas.

Por fim, o ministro procurou tranquilizar o produtor de trigo do Sul do país, que teme a importação do cereal. O governo autorizou a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) para a importação de trigo de fora do Mercosul, num total de até 2 milhões de toneladas, a serem internalizadas até 31 de julho. De acordo com Andrade, parte dessa oferta será importada para ser consumida na região Nordeste, em ações de combate ao desabastecimento de alimentos provocado pela estiagem.  

Fonte: Estadão