24 de fevereiro de 2010

Pesquisa irá averiguar o impacto do milho transgênico



Em 2009 o Brasil destinou de 20 milhões de hectares de suas terras ao cultivo produtos transgênicos. Com isso, o país ultrapassou a Argentina e ocupa a posição de segundo maior produtor de culturas geneticamente do mundo, perdendo apenas para os EUA, com 60 milhões de hectares.

Uma pesquisa pioneira no país irá avaliar os impactos causados pelo cultivo do milho transgênico, que teve um crescimento de 185%, no meio ambiente e a saúde do consumidor.  O estudo é uma iniciativa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), técnicos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) e pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) .

O cultivo de transgênicos foi regularizado no país em 2003. Contudo, ainda há poucos estudos voltados para essa área, o que gera críticas e duvidas em relação à prática. A falta de dados motivou o estudo que reúne as três entidades. Ainda em estágio inicial, ele deve ser finalizado em cinco anos. Desde 2009, mais de 30 pesquisadores percorrem lavouras nas regiões de Canoinhas, no Planalto Norte, Chapecó, no Oeste, e Campos Novos, no Meio-Oeste, para conversar com produtores rurais sobre a lavoura do Bt.

Para o pesquisador da UFSC Rubens Nodari, existe desconhecimento sobre o plantio de milho Bt no país. Apesar da semente ter sido liberada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ele acredita que critérios essenciais, como a segurança alimentar, ainda não foram esclarecidos.

“Na primeira fase da pesquisa , selecionamos as áreas da pesquisa e conversamos com os produtores. Temos de ter muita informação para, mais tarde, mapear os impactos da variedade no meio ambiente”, explica o pesquisador.

O estudo está dividido em três eixos. O primeiro pretende estabelecer se pode haver uma área de coexistência, sem contaminação, de três variedades: convencional, transgênica e agroecológica. O segundo é voltado para a pesquisa e pulverização e o terceiro irá mapear o impacto dos transgênicos em outras plantas ao seu redor.

A CTNBio recomenda a distância de cem metros da lavoura de milho Bt para a lavoura convencional ou de 20 metros desde que se usem as 10 linhas de uma bordadura de milho não-transgênico. Mas será que essas distâncias são suficientes para que a área convencional não se contamine? Questiona Nodari.

Os pesquisadores irão recolher amostras da lavoura convencional para saber se ela  foi afetada pela transgênica. Nodari alerta que, caso seja diagnosticada alguma interferência, as distâncias entre as três variedades de milho terão de ser alteradas.

Nodari lembrou ainda que, apesar ser tido como mais resistente, há registros de milho Bt que já sofreu ataques de lagartas, praga que, teoricamente, seria eliminada com a variação genética.

Para Santa Catarina, em particular, a questão é de grande interesse. O milho constitui o principal insumo da cadeia produtiva do agronegócio, como alimento para aves e suínos. Como o Estado ainda não conseguiu se tornar autossuficiente este ano, o déficit deve chegar a 2 milhões de toneladas, para uma safra de 3,3 milhões e consumo de 5,3 milhões de toneladas , os custos de produção da agroindústria aumentam de forma considerável com a importação. Além disso, a previsão é de que em 2011 cerca de 90% do milho plantado no Estado seja transgênico.

Atingir a autossuficiência em milho é vital não apenas para assegurar o aumento da competitividade agroindustrial, como também para elevar os padrões de vida dos que se dedicam a esta atividade. Neste sentido, assim como é necessário elevar a produção, também o é a garantia de preços justos aos agricultores. Nos últimos dois anos, o produto perdeu um terço do seu valor, fato que desestimula a expansão da área plantada. Enfim, o Estado precisa agir de forma integrada, amparando os que produzem alimentos e riqueza.

Fonte: Diário Catarinense, adaptado pela Assessoria de Comunicação