6 de novembro de 2008

Produtores discutem mecanismos de sustentação de preços



 para evitar prejuízos na crise

 

A carência de recursos para financiar a atividade agropecuária, decorrente da crise financeira internacional, pode agravar ainda mais o cenário já desfavorável vivido pelos fornecedores independentes de cana-de-açúcar, que há vários anos convivem com receitas inferiores aos custos de produção. Diante desse cenário, a Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reúne nesta quinta-feira (6/11), a partir das 9h, na sede da entidade, em Brasília, lideranças do setor canavieiro de 16 estados para discutir propostas de sustentação de preços da cana-de-açúcar com o objetivo de equiparar os valores pagos aos fornecedores aos custos da atividade. As proposições serão levadas à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em reunião amanhã à tarde na sede do órgão.

 

“Os preços pagos aos produtores, que já são baixos, poderão cair ainda mais se esta crise se prolongar”, alerta o presidente da Comissão da CNA, Edison José Ustulin. “Muitos produtores podem até deixar de receber ou ter o pagamento pela produção atrasado”, completa. Segundo Ustulin, um dos mecanismos de sustentação dos preços da atividade canavieira é a inclusão da cana-de-açúcar na Política Geral de Preços Mínimos (PGPM), reivindicação já feita ao Governo neste ano e que será levada à Câmara Setorial. A alternativa poderia equiparar o valor da produção recebido pelos produtores, que hoje é de R$ 35 por tonelada, aos custos de produção, de R$ 55 por tonelada. “O valor pago pelos produtores é o mesmo há pelo menos dois anos e não há perspectivas de aumento. O crédito é bem vindo, mas sem política de sustentação, não há como pagar o financiamento”, afirma o representante da CNA. Na avaliação de Ustulin, o setor canavieiro, apesar de ter cumprido as legislações trabalhista e ambiental, não avançou em relação à rentabilidade do produtor. “O fornecedor tem sido o mais penalizado, pois é obrigado a vender sua produção a qualquer preço para poder sobreviver”, relata.

 

O presidente da Comissão da CNA defende ainda a adoção de subsídios para adubos e fertilizantes químicos, que tiveram alta de 100% no preço em 12 meses. Ele informa ainda que os produtores vão propor à Câmara Setorial a revisão do modelo de comercialização de álcool. Segundo ele, o álcool sobe de preço nas usinas, mas o produtor não é beneficiado por estes reajustes.  

 

Fonte : CNA