19 de agosto de 2010

Setor leiteiro pede ao governo federal medidas de apoio



O setor produtivo de leite reitera ao governo federal a necessidade de adoção de medidas em defesa da pecuária nacional, de forma a garantir renda ao produtor, produtos a preços acessíveis ao consumidor brasileiro e superávits na balança comercial. Essas foram as conclusões de reunião dos cinco maiores estados produtores de leite, realizada no último dia 11, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), em Belo Horizonte.

Junto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as Federações da Agricultura e Pecuária de Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – estados que respondem por 68% da produção nacional – estão mobilizadas na busca de medidas para combater uma das mais graves crises enfrentadas pelo setor. Em plena entressafra, os preços ao produtor caíram 6% em julho em relação a junho, enquanto os produtos lácteos subiram no mesmo período.

Para o presidente das Comissões de Leite da FAEMG e da CNA, Rodrigo Sant’Anna Alvim, é um contrassenso os valores aos produtores continuarem caindo em um momento em que os preços dos queijos e do leite pó cresceram 1,5% e 1%, respectivamente, nos três últimos meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O único produto em baixa é o longa vida. “Não podemos ter o preço ao produtor balizado pelo leite UHT, que representa apenas 30% do mercado.”, disse Alvim.

Entre os motivos da crise do setor leiteiro estão as importações predatórias de lácteos. Foram revogadas as licenças de importações não automáticas do Uruguai, facilitando a entrada de produtos no Brasil. Também cresceram as compras de soro de leite: somente no mês de julho, entraram no país 4,5 mil toneladas. O volume é 86% superior à média do ano passado. Como o Brasil é autossuficiente na produção de soro, a CNA solicitou ao Ministério da Agricultura o rastreamento do produto importado, visando coibir fraudes.

Com isso, o saldo da balança comercial de lácteos continuou em queda em julho. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC), o Brasil exportou US$ 13,4 milhões e importou US$ 28,7 milhões. No acumulado do ano, o déficit é de US$ 85,8 milhões, valor 108,3% maior que em igual período de 2009. A melhora nos preços das commodities lácteas em relação ao ano passado contribuiu para elevar o valor das importações, mas não foi suficiente para aquecer as exportações.

Segundo Alvim, “a política macroeconômica, que mantém os juros elevados e distorce o câmbio, inviabiliza as exportações, jogando por terra o investimento feito pelo setor para se tornar um grande player no mercado internacional de lácteos”. Se o governo não atender às reivindicações do setor, o período de safra no Centro-Sul, que começa em outubro, será ainda pior. Com o mercado inchado pela maior produção interna e importações, o produtor brasileiro ficará mais desestimulado a investir na atividade.

Fonte: CNA