4 de setembro de 2012

PIB agropecuário pode repetir resultado positivo de 2011



Apesar de um início de ano ruim, com queda de 5,9% no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária está se recuperando e tende a encerrar o ano com um crescimento próximo de 4%, segundo especialistas.

No segundo trimestre, já houve alta de 4,9%, e dados apurados até agora apontam para um terceiro trimestre ainda melhor.

O total de riquezas produzidas pelo setor, entre abril e junho, deveu-se basicamente às principais commodities agrícolas (soja e milho), além de culturas que, embora menos negociadas no mercado exterior, se têm expandido extraordinariamente no Brasil.

"Alguns produtos com safra no segundo trimestre, como o café, o milho e o algodão, tiveram resultados muito melhores, em comparação ao segundo trimestre de 2011", analisou Cláudia Dionísio, economista da Coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o IBGE, o café – cultura bianual em fase de baixa produção e alto valor internacional – puxou a diferença entre os trimestres. No acumulado dos seis meses, o grão representou 6,7% das exportações do agronegócio, movimentando US$ 3,6 bilhões.

O valor é, contudo, 20% menor do que o do primeiro semestre de 2011 (US$ 4,5 bilhões), refletindo o balanço geral.

Os agentes do setor entendem a alta do próprio PIB da agropecuária, calculado pelo IBGE, como resultado do aquecimento do mercado global, especialmente em torno da soja e do milho, as principais commodities agrícolas, supervalorizadas pelos prenúncios de quebra da safra norte-americana.

Como também houve, no primeiro trimestre na América do Sul, perdas incalculáveis da produção agrícola em função do clima – agravado pelo fenômeno La Niña -, as cotações desses grãos se elevaram a patamares inéditos no segundo trimestre.

E a tendência – avaliam os especialistas – é de que os benefícios da oferta restrita continuem a engordar o PIB da Agropecuária neste terceiro trimestre, que se encerra agora, em setembro.

"As exportações seguem firmes e a safra de milho é recorde, com 70 milhões de toneladas, puxada pela safrinha [a safra de inverno]", declarou o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa, o Caio, referindo-se à produção da safra 2011/2012, encerrada no mês de junho.

Em relação à temporada de 2012/2013, da parte do maior estado produtor do Brasil, o Mato Grosso, as exportações de soja e milho ainda crescerão 20% e 28%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Os embarques finais dos grãos deverão ter, portanto, 11,5 milhões e oito milhões de toneladas, respectivamente.

A analista de Conjuntura Econômica do Imea, Gemelli Lira, destaca que os números se referem às projeções mínimas de embarques. Alavancado pela soja e o milho, o Mato Grosso é, atualmente, o estado que mais cresce no Brasil, de acordo com o IBGE.

"Há uma expectativa, diante do tamanho da seca dos Estados Unidos, de que o impacto positivo desses grãos persista no [terceiro] trimestre", endossou Caio. "Por se tratar de mercado externo, os preços são mais atraentes para o produtor. E isso vai garantir um PIB [da agropecuária] maior", prevê Gemelli.

A disponibilidade de estoques de soja e milho no Mato Grosso sustentam a previsão, segundo a especialista. Cerca de 1,9 milhão de toneladas de milho estão estocadas no estado, remanescentes da safra passada.

Fonte: DCI