1 de novembro de 2012
Brasil terá 1° recuo na produção de frango desde 2000
O custo da soja e do milho subiu com a quebra de safra na América do Sul no início do ano e, posteriormente, disparou após a pior seca em mais de meio século nos Estados Unidos devastar as lavouras. OIsso afetou as margens do setor avícola, afirmou o principal representante da associação da indústria no Brasil. "Foi a primeira, porque teve um evento crítico… foi a estiagem no Hemisfério Sul e a norte-americana", disse o Francisco Turra, presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef).
Levantamento da Ubabef mostra que a produção no Brasil, o maior exportador global de carne de frango, teve crescimento contínuo desde 2000, quando os dados do setor passaram a ser compilados, à exceção entre 2008 e 2009, quando ficou praticamente estável.
A Ubabef estima uma produção de 12,5 milhões de toneladas de frango em 2012, queda de 4,2 por cento em comparação com as 13,05 milhões de toneladas do ano anterior. O setor iniciou o ano com a expectativa de registrar um leve crescimento na produção em 2012, na marca de 13,4 milhões de toneladas.
Mas o aumento médio de 45 por cento no custo de ração e a dificuldade de repasse integral dos custos pressionaram as margens do setor, levando à redução da produção. No caso mais extremo, do farelo de soja, um dos produtos usados na composição da ração, a tonelada que custava 600 reais no começo deste ano chegou a ser cotada a 1.400 reais entre agosto e setembro, lembrou Turra. "A decisão das empresas de reduzir a produção em função da elevação drástica dos insumos, e até da dificuldade de encontrá-los pela logística, permitiu uma recuperação de preços benéfica no mercado interno", completou ele.
O aumento dos preços variou de 15 a 20 por cento no mercado interno, que fica com 70 por cento da produção nacional de carne de frango, aponta a Ubabef. "Isso [a redução] também fez o setor se reposicionar, e ficar mais adequado à realidade", disse Turra, referindo-se à situação de oferta e demanda.
Este cenário levou a indústria a reduzir os elevados estoques que vinha mantendo, pela perspectiva de sustentação da firme demanda interna. "Havia estoques excessivos no mercado interno, e outros países também carregavam estoques, como no caso do Japão. Esta prática agora mudou, a crise mostrou que não há mais como carregar grandes estoques", disse Turra.
Fonte: DCI