5 de novembro de 2012

Impasse na instalação do posto da Conab em Catolé



O Setor Produtivo da Paraíba, englobando pequenos, médios e grandes produtores rurais, vive hoje uma situação caótica em decorrência da prolongada estiagem e consequente inexistência de áreas plantadas e alimentação para os rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos do estado.

A total ausência de chuvas, enfrentada também por outros estados do Nordeste, tem trazido graves prejuízos financeiros e econômicos para o setor agropecuário, atingindo diversas cadeias produtivas, e o temor por um consequente desabastecimento do estado e inexorável elevação dos preços dos alimentos para a população, pelas perspectivas não tão boas para o próximo ano.

Na região de Catolé do Rocha, a situação torna-se ainda mais grave devido às dificuldades enfrentadas pelos produtores para receber ração e milho. A ausência de um posto de abastecimento da Conab na região tem trazido diversos prejuízos para os produtores que, na tentativa de salvar seus animais, percorrem mais de 250 km para buscar milho em Patos, onerando sobremaneira o custo do grão. Sem contar outras dificuldades como filas, pequena cota por produtor e a falta do produto.

E, apesar da proximidade de Catolé do Rocha com as regiões do Seridó e Alto oeste do Rio Grande do Norte, não há condições de atendimento dos criadores da região pelas unidades da Conab ali situadas.

A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (FAEPA), juntamente com o Sindicato dos Produtores Rurais de Catolé do Rocha, por meio de reuniões, encontros e negociações com o Ministério da Agricultura, Diretoria da Conab e Prefeitura de Catolé do Rocha, lutou pela instalação de um polo avançado de vendas do Programa Venda em Balcão da Conab no município, que garantiria, no mínimo, 3 mil toneladas de milho para a região.

Após vários encontros, visto a necessidade urgente de socorrer os produtores rurais da região, foi definida a instalação, como solução provisória, do posto da Conab no Ginásio de Esportes da Escola Municipal Luzia Maia, por 90 dias (novembro a janeiro). Um alívio para todos os produtores.

Para o presidente da FAEPA, Mário Borba, a instalação deste armazém na região de Catolé é fundamental para garantir a alimentação do rebanho que vem sendo dizimado pela estiagem vivida na região. “A falta de alimento e água é grave. O milho e a ração não chegam à região de Catolé. Os produtores tem, muitas vezes, que se deslocar por mais de 200 km para conseguir alimento, o que significa custo. Uma unidade armazenadora, com venda de milho e ouros produtos com preço subsidiado é a solução, mesmo que provisória, para a agropecuária e economia da região. É um sinal de esperança para os produtores”, afirmou o dirigente.

A solução encontrada, no entanto, não agradou a todos e denúncias sem fundamentos começam a aparecer no município. Pessoas sem nenhuma ligação ou conhecimento sobre o setor alegaram, antes mesmo do primeiro carregamento de milho chegar, que o produto fornecido para Catolé do Rocha estaria contaminado e que causaria intoxicação às crianças da escola, que estariam de férias no período, e para as pessoas que manuseassem o produto.

Declaração desprovida de qualquer conhecimento, o que causa espanto já que foi feita por um professor, tendo em vista que o milho fornecido pela Conab é tratado e fiscalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “O milho que abastecerá Catolé do Rocha é adquirido pela Conab Nacional por meio de pregões. Tudo é fiscalizado pela Anvisa e o produto não apresenta nenhum risco para as crianças ou qualquer outra pessoa que manusear o produto”, afirmou o presidente da FAEPA.

O posto avançado dá Conab em Catolé do Rocha será responsável pelo abastecimento de 10 municípios da região, que possuem hoje um rebanho com mais de 120 mil cabeças, entre bovinos, ovinos e caprinos e que, neste momento crítico, dependem deste fornecimento de milho. “É realmente triste ver um ato de tamanha irresponsabilidade. Uma declaração inconsequente que pode prejudicar toda uma região, que neste momento, precisa e muito de alimento para o gado que está morrendo na seca”, lamentou Mário Borba.

Assessoria de Comunicação Social FAEPA/SENAR-PB
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