20 de julho de 2010
Crédito para agricultura verde
O governo federal investiu R$ 2 bilhões para estimular a adoção de práticas sustentáveis no campo. A iniciativa faz parte do Programa agricultura de Baixo Carbono, lançado em maio pelo Ministério da agricultura para reduzir a emissão de CO2, mantendo a alta produtividade agrícola e recuperando 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2020. A medida é a primeira iniciativa do setor em larga escala e atende ao acordo voluntário firmado pelo Brasil durante a COP-15, em Copenhague no ano passado, que estabeleceu uma série de ações de mitigação de gases de efeito estufa para o país.
A expectativa é que em dez anos as boas práticas adotadas no campo reduzam em 33% o volume de CO2 jogado na atmosfera. A informação foi dada por Eduardo Assad, coordenador de pesquisa de mudanças climáticas da Embrapa e também da Rede Clima e agricultura do Ministério da Ciência e Tecnologia no Seminário sobre mudanças climáticas e agricultura promovido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec/Rio): — A agricultura brasileira emite cerca de 480 milhões de toneladas de CO2 por ano.
Com essas medidas vamos promover uma redução de 160 milhões de toneladas em 10 anos — disse Assad.
O recurso financiará projetos em quatro setores: recuperação de pastos, fixação biológica de CO2, integração lavoura/pecuária e plantio direto (ver box). O dinheiro será repassado aos agricultores por meio de uma linha de crédito rural já disponível nas agências do Banco do Brasil.
Os juros são de 5.5% ao ano.
Na avaliação de Assad, a criação do Programa ABC pelo Ministério da agricultura representa um passo importante na direção de um modelo agrícola sustentável.
— Há 25 anos os pesquisadores já falavam que a agricultura poderia contribuir para a redução das emissões de carbono.
Temos tecnologia. E o dinheiro surgiu quando se percebeu que era bom negócio — disse o pesquisador.
Embora reconheça o avanço no setor, ele acredita que ainda é preciso investir em pesquisa e inovação para criar um novo modelo.
— O avanço nesta área é baseado em inovação e transferência de tecnologia. O setor público já desenvolve pesquisas, mas é necessário que o setor privado também entre nesta iniciativa. Acho até que já estão fazendo alguma coisa, pois aos poucos os empresários estão se dando conta da importância de investir em pesquisa para competir no mercado de carbono. Mas, mesmo com investimento, é fundamental que as informações sobre novas tecnologias cheguem ao produtor. Este é o calcanhar de Aquiles desta história. Estado e Município ainda precisam apostar em programas de capacitação.
Fonte: O Globo