23 de março de 2011

Dia mundial da água: Um mar de preocupações



O Dia Mundial da Água, comemorado nesta terça-feira (22), visa despertar a consciência ecológica da população. A Terra apresenta indícios de desequilíbrio, é objeto de discussões sobre aquecimento global e precisa de saneamento básico.
Se a água fosse um recurso de rápida renovação e de fácil acesso às mais de seis bilhões de pessoas do planeta, não haveria preocupação com o desequilíbrio causado nas últimas décadas industriais.

Porém, 97,2% da água localizam-se nos oceanos e não é potável. Outros 2,4% estão congelados nas calotas glaciais. Os 0,6% restantes de água doce são para o consumo do homem, mas são constantemente contaminados pelo despejo de esgoto urbano, resíduos industriais e agrotóxicos.

À frente de outros países, o Brasil lidera o ranking mundial dos países com o maior nível de água para consumo – com 12% de todo o mundo – mas, apenas 40% do esgoto gerado nas cidades recebe tratamento.

Em relação aos resíduos industriais, o caso pode ser ainda pior: muitas fábricas liberam efluentes tóxicos, prejudicando o ciclo da água. Novas atitudes estão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado pelo Governo Federal em 2007. Somente para saneamento serão destinados R$ 40 bilhões.

Tal valor parece suficiente, mas estatísticas do próprio setor do Governo Federal prevêem R$ 270 bilhões para chegar à marca de 100% de um Brasil com saneamento básico. Ou seja: são necessários sete PACs para que a meta universal seja alcançada.

Por outro lado, existem avanços. De 2003 a 2008, segundo o Instituto Trata Brasil, houve um progresso de 4,5% nos atendimentos ao saneamento. Mas temos de ser realistas: ainda são despejados 5,9 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum em praias e rios.

Em tempos de tantas enchentes, vale refletir sobre a necessidade de preservação e tratamento da água. Segundo a ONU, cerca de um bilhão de pessoas não têm água limpa para suprir suas necessidades básicas. E, ao passo atual, o acesso universal ao esgoto no Brasil só chegará em 2122.

Por Ceciliano Ennes, presidente da Riovivo Ambiental – Fonte: EconomiaSC