10 de junho de 2013
Nova tecnologia de melhoramento genético para plantas
Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia patentearam uma nova tecnologia de melhoramento genético que altera apenas o gene que apresenta problemas, sem comprometer o DNA da planta. Os resultados tem sido promissores. Agora, os testes serão feitos em culturas como a soja, o milho e o tomate.
Os estudos começaram em 2005, baseados em dados do genoma do café. Os pesquisadores isolaram pequenos fragmentos da sequência genética, conhecidos como promotores. Esses fragmentos são responsáveis pelo controle da manifestação de um determinado gene da planta. O objetivo é alterar apenas o gene que apresenta o problema, sem comprometer todo o DNA.
"Genes de interesses agronômicos, genes de tolerância, de resposta a estresse hídrico e à seca vão ser colocados ao lado destes promotores e vão ser comandados por estes promotores. A nossa intenção é ter uma coleção de promotores que nos permita expressar a característica do trangene, ou só na folha, ou só na fruta, ou só na raiz de forma que a gente possa controlar melhor como uma característica vai se manifestar na planta" explica Juliana Dantas de Almeida, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.
A tecnologia começou a ser testada em plantas modelo, que tem o ciclo de vida rápido. Agora, depois de patenteada, a tecnologia vai ser aplicada em plantas comercialmente importantes. "Nós estamos testando em soja, tomate, milho e cana-de-açúcar para avaliar se essas tecnologias funcionam e, depois, quem sabe, incorporar essa tecnologia em programas de melhoramento" diz Juliana.
Esta fase de testes deve durar três anos. A pesquisadora explica que, no caso da soja, a técnica será usada para combater a ferrugem, um fungo que atinge somente as folhas. "Se a gente transforma a soja, faz uma soja transgênica expressando um gene tóxico ao fungo da ferrugem em toda a planta. Isso pode vir a interferir nos fungos que são benéficos. Se a tecnologia for usada, nós podemos proteger esse efeito fazendo com que a proteína tóxica seja expressa somente na folha."
De acordo com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, os benefícios da nova técnica vão além do controle de pragas, ela diminui o custo de produção e melhora a qualidade do produto e do meio ambiente, pois diminui o uso de defensores agrícola e agrotóxicos.
Fonte: Canal Rural